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ensaios:2014 [2015/01/20 01:32] fernando.silverio.ribeiroensaios:2014 [2015/01/20 19:33] (atual) – [Referências Bibliográficas] paulo
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 ====Resiliência no Monitoramento de Longo Prazo==== ====Resiliência no Monitoramento de Longo Prazo====
-====Bruno Lenhaverde Sandy====+===Bruno Lenhaverde Sandy===
  
 O termo resiliência foi introduzido na literatura em 1973 por um ecólogo teórico C. S. Holling no artigo “Resilience and stability of ecological systems” como um meio de entender a dinâmica não-linear observada nos ecossistemas. Desde esta época, o conceito estava relacionado com o termo  “estabilidade” sendo transportado das áreas de Matemática e Física para entender sobre a diversidade biológica relacionada com as funções ecológicas (Peterson et. al., 1998). Ele foi definido na literatura de duas formas distintas (resiliência engenharia e resiliência ecológica), cada uma refletindo diferentes aspectos de estabilidade. Holling enfatizou estes diferentes aspectos de estabilidade para chamar atenção para a distinção entre eficiência e persistência; constância e alteração; predição e não-predição. E definiu como a capacidade de um sistema retornar ao seu estado de equilíbrio após um distúrbio. O termo resiliência foi introduzido na literatura em 1973 por um ecólogo teórico C. S. Holling no artigo “Resilience and stability of ecological systems” como um meio de entender a dinâmica não-linear observada nos ecossistemas. Desde esta época, o conceito estava relacionado com o termo  “estabilidade” sendo transportado das áreas de Matemática e Física para entender sobre a diversidade biológica relacionada com as funções ecológicas (Peterson et. al., 1998). Ele foi definido na literatura de duas formas distintas (resiliência engenharia e resiliência ecológica), cada uma refletindo diferentes aspectos de estabilidade. Holling enfatizou estes diferentes aspectos de estabilidade para chamar atenção para a distinção entre eficiência e persistência; constância e alteração; predição e não-predição. E definiu como a capacidade de um sistema retornar ao seu estado de equilíbrio após um distúrbio.
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-====Referências Bibliográficas====+===Referências Bibliográficas===
  
  
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 +==== A Diversidade em Sistemas Sócio-Ecológicos ====
  
 +=== Carlos Frederico Alves de Vasconcelos Neto ===
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 +Sistemas sócio-ecológicos (SSE) são criados a partir da inter-relação entre povos e os recursos naturais que os rodeia, ou seja, a interação entre o sistema social e ecológico. Duas teorias principais servem de base para facilitar a compreensão dos sistemas sócio-ecológicos, são elas, “teoria geral dos sistemas” e “teoria dos sistemas adaptativos complexos” (Berkes et al., 2003). Em suma, enquanto a teoria dos sistemas estuda entidades estáticas conectadas por relações lineares e que estão em constante equilíbrio, a teoria da complexidade postula relações não lineares e em constante mudança, comportamentos complexos que evoluem das relações locais entre os componentes do sistema ao longo do tempo (Manson, 2001). Apesar destas diferenças, essas duas teorias são complementares.
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 +A ecologia de comunidades tem como um dos principais objetivos explicar as diferenças na diversidade entre comunidades. No entanto, vários estudos não consideram o homem como agente criador/modificador de diversidade. O uso de abordagens integrativas são cada vez mais necessárias para uma real compreensão do papel dos seres humanos na natureza. Nesta perspectiva, a teoria dos sistemas adaptativos complexos leva em consideração aspectos da adaptação e variabilidade para entender o funcionamento e a dinâmica dos sistemas em mudança, ou seja, como uma organização em escala superior surge, se mantêm e é reorganizada por processos com escalas inferiores (Levin et al., 1998).
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 +A teoria geral dos sistemas foca-se na hierarquia e interdependência entre os componentes do sistema, enquanto a teoria da complexidade propõe conceitos como não-linearidade, variabilidade, hierarquia, escala e multi-equilíbrio (Stacey, 1996). Estas teorias e conceitos contrastam a ideia estática de capacidade suporte e clímax apontada por Scoones (1999), destacando formas de manejo com base no ciclo de renovação adaptativa proposto por Holling (2001), onde as fases de exploração, conservação, liberação e reorganização determinam a dinâmica e resposta dos sistemas frente às situações de distúrbios ecológicos e sociais. Ou seja, os sistemas ecológicos podem apresentar diferentes níveis resiliência, na medida que se tornam mais adaptáveis as modificações humanas (Walker et al., 2004).
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 +Alguns autores (Anderson, 2010; Casas et al., 2007; Campbell et al., 2006) argumentam que o manejo realizado pelos povos que habitaram a Mesoamérica são os responsáveis pela formação de verdadeiras florestas antrópicas - consórcio de espécies domesticadas e de importância econômica com espécies selvagens. Onde observaram que ao longo dos anos de manejo as comunidades de fauna e flora apresentaram diversidade de espécies superior à habitats naturais, devido a maior produtividade destas áreas. Com base neste pressuposto, meu projeto tem como objetivo principal compreender como áreas com diferentes graus de antropização, mediam e interferem a distribuição e abundância da de mamíferos de médio e grande porte.
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 +Para avaliar a resiliência da área é preciso entender seus mecanismos e dinâmicas internas, para isso é necessário assumirmos como hipótese que estes sistemas sócio-ecológicos se comportam como sistemas complexos. E podem ser caracterizados como sendo resultado de um processo cotidiano de adaptação entre um dado povo e o seu ecossistema, onde os processos sociais e ecológicos são dependentes dos níveis de escala e organização considerados. (Altieri, 2002; Gomes & Borba, 2003; Walker et al., 2004).
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 +== Referências Bibliográficas ==
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 +Altieri, M.A. 2002. Agroecology: the science of natural resource management for poor farmers in marginal environments. Agriculture, Ecosystems and Environment, 93(1-3): 1-24;
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 +Anderson, E.N. 2010. Managing Maya Landscapes: Quintana Roo, Mexico. In: Landscape Ethnoecology: Concepts of Biotic and Physical Space, (Orgs.) Johnson, L.M. & Hunn, E.S.. Berghahn Books. 332pp.
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 +Berkes, F.; Colding, J.; Folke, C. 2003. Navigating social-ecological systems: building resilience for complexity and chance. Cambridge: Cambridge University Press;
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 +Campbell, D.G.; Ford, A.; Lowell, K.; Walker, J.; Lake, J.K.; Ocampo-Raeder, C.; Townesmith, A.; Balick, M. 2006. The Feral Forests of the Eastern Peten. In: Time and Complexity in the Neotropical Lowlands, (Orgs.) Erickson, C. & Balée, W. Columbia University. 21–55pp;
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 +Casas, A.; Otero-Arnaiz, A.; Pérez-Negrón, E.; Valiente-Banuet, A. 2007. In situ management and domestication of plants in Mesoamerica. Annals of Botany, 100(5): 1101–1015p;
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 +Gomes, J.C.C.; Borba, M. 2003. Limites e possibilidades da agroecologia como base sociedades sustentáveis. Ciencia & Ambiente, 27: 5-14;
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 +Holling, C.S. 2001. Understanding the complexity of economic, ecological, and social systems. Ecosystems, 4: 390-405;
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 +Levin, S.A.; Barret, S.; Aniyar, S. 1998. Resilience in natural and socioeconomic systems. Environment and Development Economics, 3(2): 222-235;
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 +Scoones, I. 1999. New ecology and the social sciences: what prospects for a fruitful engagement? Annual Review of Anthropology, 28(1): 479-507;
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 +Stacey, R. 1996. Complexity and creativity in organizations. San Francisco: Berrett Koehler;
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 +Walker, B.; Holling, C.S.; Carpenter, S.R.; Kinzig, A. 2004. Resilience, Adaptability and Transformability in Social-Ecological Systems. Ecology and Society 9(2): 1-9;
ensaios/2014.1421717576.txt.gz · Última modificação: 2015/01/20 01:32 por fernando.silverio.ribeiro
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