As macrófitas aquáticas: aspectos ecológicos e metodológicos

 

Introdução

Na Terra os organismos existentes na atualidade são provenientes de ancestrais com origem no ambiente aquático. Para viver fora da água as plantas necessitam de uma cobertura externa, a cutícula. Por ser impermeável, para permitir a troca com o meio externo, ao longo do processo evolutivo surgiram os estômatos. Outros caracteres morfológicos que evoluíram na passagem da vida aquática para a terrestre foram os sistemas vascular e de sustentação. Através do contínuo processo de transformação muitos dos organismos já adaptados à vida no ambiente terrestre retornaram ao seu antigo hábito de vida aquática. Modificações anatômicas auxiliaram no retorno como: reduções do sistema de sustentação, no número, ausência ou estômatos não funcionais, os cloroplastos passaram a estar localizados na parte superior das folhas. Como a solubilização do CO2 e O2 na água ocorre a taxas muito baixas, as plantas aquáticas apresentam cutículas e folhas muito finas para facilitar a troca de gases com o meio. Também armazenam gases no aerênquima. Em função dos diferentes graus de transformações sofridos pelos vegetais no seu retorno ao ambiente aquático atualmente podem ser encontrados vegetais que suportam submergências ocasionais até aqueles com hábito exclusivamente aquático.


Miriophyllum

 

 

Por Dr. Marcelo Luiz Martins Pompêo
USP, IB, Departamento de Ecologia, Rua do Matão, Travessa 14, 321, Butantã- São Paulo - SP, Brasil, 05508-090.