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Campos Rupestres das Serras Brasileiras

Paisagem da Serra do Cipó, Santana do Riacho - Minas Gerais

No alto de algumas montanhas brasileiras ocorrem campos rupestres, forma úni­ca de vegetação, tanto pela diversidade de espécies como pela maneira como estas se distribuem, com as plantas crescendo sobre pedra, em solo pedregoso ou arenoso.

 

Situam-se, em geral, em altitudes superiores a 900m. Localizam-se, em sua maior extensão, na cadeia do Espinhaço (MG), na Chapada Diamantina (BA), em suas disjunções, e também em Goiás e Mato Grosso. Geralmente associadas a cidades do ciclo do ouro e do diamante, as elevações recebem denominações locais, como Serra do Cipó e do Caraça (MG), Serra do Tombador e do Sincorá (BA), Chapada dos Veadeiros e Serra dos Pirineus (GO). A ocorrência, em todas essas serras, de plantas de famílias típicas confere à sua paisagem uma fisionomia uniforme. Basicamente, nos campos rupestres observa-se um estrato mais ou menos contínuo de herbáceas, principalmente das famílias Gramineae, Cype­raceae, Xyridaceae e Eriocaulaceae, onde sobressaem pequenos arbustos ou arvoretas de diversas famílias, destacando-se muitas Compositae, Melastomataceae, Rubiaceae e Ericaceae, nas quais é evidente a con­vergência do hábito, com folhas geralmente pequenas e duras, densamente dispostas.

 

As várias famílias de plantas que, ao longo de milênios, foram se adaptando às condições características dos campos rupestres encontraram uma ou mais formas de sobreviver, pois em geral, a água disponível é pouca. Mesmo nas estações chuvosas, as águas escoam com rapidez sobre as pedras, através dos solos pedregosos ou arenosos, não havendo formação de lençol freático. A água só per­manece por mais tempo em alguns locais arenosos e planos, entre os afloramentos, e o solo alagado consti­tui excelente habitat para plantas saprófitas (que se nutrem de substâncias orgânicas resultantes da de­composição de outros seres vivos), como é o caso de Drosera, que também se alimenta de insetos.

 

À noite há grande formação de neblina. Muitas espécies têm características que lhes permitem se utilizar da umidade do ar. É o caso das Canelas-de-ema (família Velloziaceae). Nestas, quando as folhas mais velhas caem, suas bainhas permanecem junto ao caule. Internamente às bainhas, correm raízes que têm um tipo especial de tecido (comum em orquídeas), chamado velame, capaz de acumular água como uma esponja. Tais plantas são capazes, ainda, de reter água no tecido das folhas. Outras plantas da mesma família são capazes de se manter vivas, mesmo estando completamente secas, e parecem ressuscitar quando voltam as chuvas.

Em 1984 foi publicado o decreto que criava o Parque Nacional da Serra do Cipó.

 

Abriu-se, assim, a perspectiva da conservação de uma grande área (33.800 hectares) como banco de Ger­moplasma, (local onde as espécies seriam preservadas com vistas à preservação de seu estoque gênico) e para todos os estudos que venham a ser feitos com essa extraordinária vegetação.

 

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Luís Carlos de Souza

 

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