Campos Rupestres

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Praias Arenosas

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Caatinga

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Manguezal

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Pantanal

O pantanal Uma imensa planície de inundação, contida entre sistemas de serras e chapadas não muit...

Mata Atlântica

  Mata Atlântica      

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pantanalO pantanal


Uma imensa planície de inundação, contida entre sistemas de serras e chapadas não muito elevadas e cortada por inúmeros rios da Bacia do Paraguai.

 

As chuvas periódicas provocam o transbordamento dos rios e lagoas e são respon­sáveis pela modificação constante da paisagem. Durante a cheia, o Pantanal se torna um enorme alagado, pontilhado de capões de mato, que crescem em pequenas elevações e servem de refúgio a muitos animais. Na época da seca, a água se restringe aos leitos dos rios, corixos, lagoas e banhados localizados nas depres­sões ligeiramente mais acentuadas da planície.

 

As condições especiais da região permitem que uma vegetação rica e variada, per­feitamente adaptada ao clima e solo, proporcione ambiente favorável a uma fauna exuberante. Lado a lado, na planície, vêem-se campos limpos, campos cerrados, capões de mato, matas ciliares, e, nas eleva­ções pedregosas e encostas de serra, vegetação de caatinga. Em todas essas formações podem ser vistos inú­meros animais, vivendo isolados ou em bandos, numa das mais expressivas concentrações de fauna do planeta.

 

As populações animais e vegetais se alternam, acompanhando os ciclos das cheias e das secas. A abundância de alimento permite transferências complexas de matéria orgânica e energia nas cadeias e teias alimentares.

 

No Pantanal não há monotonia. A característica constante é a movimentação dos animais, seus cantos, gritos e zumbidos. A riqueza do verde, o colorido das aves, das flores e do céu, evi­denciam a beleza e o equilíbrio dessa região incomparável. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Campos Rupestres das Serras Brasileiras

Paisagem da Serra do Cipó, Santana do Riacho - Minas Gerais

No alto de algumas montanhas brasileiras ocorrem campos rupestres, forma úni­ca de vegetação, tanto pela diversidade de espécies como pela maneira como estas se distribuem, com as plantas crescendo sobre pedra, em solo pedregoso ou arenoso.

 

Situam-se, em geral, em altitudes superiores a 900m. Localizam-se, em sua maior extensão, na cadeia do Espinhaço (MG), na Chapada Diamantina (BA), em suas disjunções, e também em Goiás e Mato Grosso. Geralmente associadas a cidades do ciclo do ouro e do diamante, as elevações recebem denominações locais, como Serra do Cipó e do Caraça (MG), Serra do Tombador e do Sincorá (BA), Chapada dos Veadeiros e Serra dos Pirineus (GO). A ocorrência, em todas essas serras, de plantas de famílias típicas confere à sua paisagem uma fisionomia uniforme. Basicamente, nos campos rupestres observa-se um estrato mais ou menos contínuo de herbáceas, principalmente das famílias Gramineae, Cype­raceae, Xyridaceae e Eriocaulaceae, onde sobressaem pequenos arbustos ou arvoretas de diversas famílias, destacando-se muitas Compositae, Melastomataceae, Rubiaceae e Ericaceae, nas quais é evidente a con­vergência do hábito, com folhas geralmente pequenas e duras, densamente dispostas.

 

As várias famílias de plantas que, ao longo de milênios, foram se adaptando às condições características dos campos rupestres encontraram uma ou mais formas de sobreviver, pois em geral, a água disponível é pouca. Mesmo nas estações chuvosas, as águas escoam com rapidez sobre as pedras, através dos solos pedregosos ou arenosos, não havendo formação de lençol freático. A água só per­manece por mais tempo em alguns locais arenosos e planos, entre os afloramentos, e o solo alagado consti­tui excelente habitat para plantas saprófitas (que se nutrem de substâncias orgânicas resultantes da de­composição de outros seres vivos), como é o caso de Drosera, que também se alimenta de insetos.

 

À noite há grande formação de neblina. Muitas espécies têm características que lhes permitem se utilizar da umidade do ar. É o caso das Canelas-de-ema (família Velloziaceae). Nestas, quando as folhas mais velhas caem, suas bainhas permanecem junto ao caule. Internamente às bainhas, correm raízes que têm um tipo especial de tecido (comum em orquídeas), chamado velame, capaz de acumular água como uma esponja. Tais plantas são capazes, ainda, de reter água no tecido das folhas. Outras plantas da mesma família são capazes de se manter vivas, mesmo estando completamente secas, e parecem ressuscitar quando voltam as chuvas.

Em 1984 foi publicado o decreto que criava o Parque Nacional da Serra do Cipó.

 

Abriu-se, assim, a perspectiva da conservação de uma grande área (33.800 hectares) como banco de Ger­moplasma, (local onde as espécies seriam preservadas com vistas à preservação de seu estoque gênico) e para todos os estudos que venham a ser feitos com essa extraordinária vegetação.

 

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caatinga

Caatinga

Em plena faixa equatorial, entre as florestas da Amazônia e as da costa Atlântica, encontram-se as caatingas do nordeste brasileiro, conhecidas na linguagem do homem do campo como os sertões secos. Elas cobrem aproximadamente 700.000 km2, ou seja, cerca de 10% do território brasileiro. O clima é semi-árido, com temperaturas médias anuais compreendidas entre 27 e29°C e com precipitações anuais entre 400 e 800mm. O clima rude da caatinga é principalmente ocasionado pela distribuição irregular de chuvas; não há previsão de quando nem de onde vai chover. Além disso, o escoamento superficial é intenso, pois os solos são rasos e situados em cima de lajedos cristalinos. Os rios ou riachos que têm suas cabeceiras no sertão correm apenas durante o período das chuvas, secando durante o resto do ano.

 

A vegetação da caatinga é adaptada para suportar a falta de água. As árvores e os arbustos, em geral, não atingem quatro metros de altura e são tipicamente espinhosos. Existem vários tipos fisionômicos de caatingas (caatinga arbórea, caatinga arbustiva, o cariri, o seridó, etc). As famílias de plantas que mais identificam a paisagem são as Cactaceae, Euphorbiaceae Bromeliaceae e Leguminosae. Entre os cactos destacam-se o mandacaru, o xique-xique, vária: espécies de facheiro, coroa de frade, etc.

 

A época seca, mais comum, tem a maioria da vegetação com aspecto esbranquiçado, desprovida de folhas, com galhos fortemente retorcidos e dotados de espinhos Apesar deste aspecto seco, poucos dias após as chuvas toda a vegetação volta a mostrar sinais de vida: as plantas brotam, florescem e frutificam para aproveitar a água. Neste período, até os capins formam um tapete sobre os solos. Contudo, como os solos são rasos e as chuvas breves e irregulares, as folhas logo murcham, caem, e a caatinga volta a seu aspecto seco e esbranquiçado. Daí vem l termo indígena caatinga, que significa mata branca.

 

 

Este cartaz da série "Ecossistemas Brasileiros" mostra a caatinga durante seca, como ela mais comumente se apresenta. Apesar do aspecto seco das plantas, todas estão vivas; apenas perderam as folhas para suportar a falta de água. A fauna da caatinga, assim como a flora, tem poucas espécies endêmicas. Mesmo durante a seca, a vida animal também é rica e diversificada. Contudo, é após as chuvas que a diversidade animal e vegetal das caatingas se toma evidente. O detalhes mostram predadores e presas, além do importante papel ecológico das aves come dispersoras das sementes dos cactos. As plantas florescem e os animais se reproduzem, deixando descendentes que já possuem adaptações para suportar o longo período de seca seguinte.

 
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As Praias Arenosas

Uma praia arenosa comumente evoca a imagem de um deserto, uma vez que suas areias parecem destituídas de vida. As chamadas praias bravas, ou de tombo, podem realmente fazer juz a esta imagem, pois o forte embate das ondas constantemente movimenta grandes quantidades de areia, modificando o perfil da praia e impedindo que muitas espécies aí se estabeleçam. Por outro lado, as praias mansas ou duras, com seu declive muito suave, que permite realizar longos percursos mar adentro sem perder o pé, abrigam uma fauna abundante e variada. Esta comunidade passa desapercebida da maioria das pessoas devido ao fato de seus componentes encontrarem-se tipicamente ocultos na areia ou expostos ao ar apenas durante os períodos de baixamar. Representantes da maioria dos grupos de animais marinhos podem aí ser encontrados, porém as plantas macroscópicas estão praticamente ausentes, sendo os vege­tais representados apenas por diversas categorias de algas microscópias.

 

Para a observação ou o estudo deste ecossistema é necessário um míni­mo de conhecimento dos fenômenos que regem a subida e descida das águas, ou seja, as marés.

As águas que compõem os oceanos estão sujeitas à atração gravitacional do sol e da lua. Embora seja muito menor que o sol, a lua, por se encontrar mais próxima da terra, exerce uma influência maior sobre a massa líquida, determinando o regime básico das marés: marés vivas ou de sizígia, nas fases de lua cheia e lua nova, quando a atração lunar soma-­se ao máximo à solar, produzindo grandes oscilações do nível da água; e marés mortas ou de quadratura, nos quartos crescente e minguante, quando, devido ao não alinhamento do sol, terra e lua, os efeitos da atração são atenuados e, portanto, o fluxo e refluxo das águas.

 

Estas diferenças periódicas de amplitude entre as marés determinam nas praias três faixas distintas: uma superior, constantemente umedecida por borrifos, mas apenas coberta pelo mar por ocasião de marés altas excepcionais, ressacas ou tempestades; uma faixa mediana sempre coberta e descoberta pelas marés duas vezes por dia; e uma faixa inferior, quase sempre submersa, eventualmente exposta durante as marés baixas de sizígia, ou seja, nas fases de lua nova e lua cheia.

 

Nestas três faixas, os organismos marinhos distribuem-se em função principalmente de sua capacidade de evitar a exposição ao ar e, consequentemente, a perda de água por evaporação.

 

Assim, na faixa superior, encontramos espécies melhor adaptadas à vida terrestre do que à aquática. Da fauna marinha, apenas o grauçá e as pulgas da praia desenvolve­ram estas adaptações, mas vários insetos, como por exemplo a tesourinha, e alguns aracnídeos, vindos do continente, aventuram-se nesta faixa, às custas de tolerar a influência da água salga­da. A faixa mediana, menos exposta, é povoada por um maior número de espécies - principal­mente crustáceos, poliquetos e moluscos - todas de origem marinha, apresentando particula­ridades morfológicas ou comportamentais para impedir a perda de água durante a baixamar. A faixa inferior é habitada por formas quase sem adaptações para a vida fora d'água, tanto que algumas, como por exemplo a Renilla, podem até morrer quando ocorrem marés excepcional­mente baixas e de longa duração, principalmente durante dias de calor intenso.

 

Além dos organismos residentes, isto é, aqueles que permanecem du­rante toda sua fase adulta no sedimento, as praias arenosas recebem visitantes ocasionais, tais como gaivotas e maçaricos, que exploram a areia em busca de alimento.

 

Resta ainda mencionar a presença de componentes de outras comunida­des marinhas que são trazidos à praia pelos ventos, ondas ou correntes. Destes, merece desta­que a caravela, pela sua capacidade de produzir queimaduras perigosas que podem até reque­rer cuidados médicos. 

 

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O manguezal e a sua fauna

 

As florestas de mangue já atraíram a atenção dos antigos biólogos por serem florestas que crescem nas águas rasas do mar. Devido a várias propriedades de estrutura e funcionamento, este ecossistema ocupou as áreas costeiras protegidas dos oceanos e mares tropicais. Tipicamente, o manguezal se encontra na zona entre marés.

 

O Brasil tem uma das maiores extensões de manguezais do mundo: desde o Cabo Orange no Amapá até o município de Lagunaem Santa Catarina. Hojeem dia o manguezal ocupa uma superfície total de mais de 10.000 km2, a grande maioria na Costa Norte. O Estado de São Paulo tem mais de 240 km2 de manguezal.

 

No passado, a extensão dos manguezais brasileiros era muito maior: muitos portos, indústrias, loteamentos e rodovias costeiras foram desenvolvidos em área de manguezal.

Ao contrário de outras florestas, os manguezais não são muito ricos em espécies, porém, destacam-se pela grande abundância das populações que neles vivem. Por isso podem ser considerados um dos mais produtivos ambientes naturais do Brasil.

 

Somente três árvores constituem as florestas de mangue: o mangue vermelho, o mangue seriba e o mangue branco. As árvores são acompanhadas por um pequeno número de outras plantas, tais como a samambaia do mangue, o hibisco e a gramínea Spartina. Ricas comunidades de algas crescem sobre as raízes aéreas das árvores, na faixa coberta pela maré. Pelo contrário, os troncos permanentemente expostos e as copas das árvores são pobres em plantas epífitas.

 

Quanto à fauna, destacam-se as várias espécies de caranguejos, formando enormes populações nos fundos lodosos. Nos troncos submersos, vários animais filtradores, como as ostras, alimentam-se de partículas suspensas na água. A maioria dos caranguejos são ativos na maré baixa, enquanto os moluscos alimentam-se durante a maré alta. Uma grande variedade de peixes penetra nos manguezais na maré alta. Muitos dos peixes que constituem o estoque pesqueiro das águas costeiras dependem das fontes alimentares do manguezal, pelo menos na fase jovem. Diversas espécies de  aves comedoras de peixes e de invertebrados marinhos nidificam nas árvores do manguezal. Alimentam-se especialmente na maré baixa, quando os fundos lodosos  estão expostos.

 

Os manguezais fornecem uma rica alimentação proteica para a população litorânea brasileira: a pesca artesanal de peixes, camarões, caranguejos e moluscos é, para os moradores do litoral, a principal fonte de subsistência.

 

O manguezal foi sempre considerado um ambiente pouco atrativo e menosprezado, embora sua importância econômica e social seja muito grande. No passado, estas manifestações de aversão eram justificadas, pois a presença do mangue estava intimamente associada à febre amarela e à malária. Embora estas enfermidades já tenham sido controladas, a atitude negativa em relação a este ecossistema perdura em expressões populares onde a palavra mangue, infelizmente, adquiriu o sentido de  desordem, sujeira ou local suspeito.

 

A destruição gratuita, a poluição doméstica e química das águas, derramamentos de petróleo e aterros mal planejados, são os grandes inimigos do manguezal. 


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Luís Carlos de Souza